Descrição dos componentes do ar condicionado

Compressor

Função

  • O compressor é uma bomba mecânica que comprime o refrigerante e o faz circular no sistema de ar condicionado.

Funcionamento

  • O compressor recebe vapor de refrigerante a baixa pressão e debita vapor de refrigerante a alta pressão.
  • Durante a compressão, a temperatura do vapor de refrigerante aumenta consideravelmente. O compressor só pode comprimir vapor, dado que líquido causaria a sua destruição.
  • Normalmente o compressor é accionado por uma correia directamente a partir da cambota ou através do alternador ou da bomba da direcção assistida.

Tipo placa oscilante

Fig 1
 

  • A placa oscilante [1] está ligada de forma fixa ao veio do compressor [2] formando com este um ângulo oblíquo. Em torno da circunferência da placa oscilante encontra-se uma série de pistões [3] distribuídos a intervalos regulares (o número de pistões e o ângulo a que estão dispostos depende da capacidade do compressor).
  • A placa oscilante converte o movimento de rotação do veio do compressor no movimento de vaivém dos pistões. Existem válvulas Reed de sucção e de descarga [4] instaladas em pratos de válvulas entre o bloco do motor e a cabeça do motor.
  • Os compressores de placa oscilante podem ser de capacidade fixa ou variável.
  • O controlo da capacidade variável reduz substancialmente o funcionamento convencional do tipo LIGAR/DESLIGAR da embraiagem magnética e os choques mecânicos daí resultantes.
  • Os compressores de capacidade variável dispõem de uma válvula de controlo da pressão [5] que detecta a pressão no lado da sucção, sendo então o débito alterado por meio da alteração do ângulo da placa oscilante.
  • Os modelos mais recentes podem ser equipados com uma válvula eléctrica de controlo da pressão. Esta válvula, controlada pelo módulo do ar condicionado ou pelo módulo de controlo do motor, reduz a energia necessária para operar o sistema, o consumo de combustível e as emissões de escape.

Compressor de palhetas

Fig 2
 

  • As palhetas [3] encontram-se dispostas a intervalos regulares dentro de um rotor [1] que se encontra montado no veio do compressor. Quando o rotor gira, a força centrífuga empurra as palhetas para fora, contra a parede interior do compressor [4]. A disposição excêntrica do rotor e o movimento das palhetas geram alterações de pressão no alojamento do compressor [2], as quais criam a sucção necessária à admissão de refrigerante, a compressão subsequente do mesmo e, finalmente, a sua descarga.

Tipo helicoidal

Fig 3
 

  • O compressor helicoidal é composto por duas hélices inseridas num alojamento cilíndrico [3]. Uma das hélices está dentro da outra, sendo que uma é fixa [2] e a outra [5] oscila num veio de accionamento e é conduzida por esferas de rolamento [6] e um prato de encosto [1]. O veio de accionamento [7] possui um contrapeso incorporado e gira dentro de um rolamento existente na tampa do alojamento [8]. A vedação da cavidade entre as hélices contra a passagem de gases é assegurada por tiras de vedação [4], criando duas câmaras de compressão em forma de crescente. Estas expandem e contraem consoante o movimento oscilante da hélice.
  • Os compressores helicoidais podem ser de capacidade fixa ou variável.
  • O controlo da capacidade variável reduz substancialmente o funcionamento convencional do tipo LIGAR/DESLIGAR da embraiagem magnética e os choques mecânicos daí resultantes.
  • Os compressores de capacidade variável dispõem de uma válvula de controlo. Para reduzir o débito, a válvula de controlo faz regressar vapor de refrigerante parcialmente comprimido à câmara de baixa pressão. A quantidade de vapor de refrigerante devolvido é determinada pela posição do pistão relativamente à derivação na válvula de controlo.

Embraiagem magnética

Fig 4
 

  • Para ligar e desligar o veio de accionamento do compressor a este último é usada uma embraiagem magnética.
  • Quando é aplicada tensão à bobina de campo da embraiagem [5], o disco de embraiagem [1] (que está ligado ao veio do compressor) é atraído contra a polia [4] e o compressor gira.
  • Quando deixa de se aplicar tensão à bobina de campo da embraiagem [5], o disco de embraiagem [1] é libertado e o compressor pára de girar.
  • Em alguns modelos, a folga da embraiagem do compressor pode ser ajustada por meio de calços [2].
  • Normalmente, a bobina de campo da embraiagem [5] é retida no lugar por um freio [3].
  • A lubrificação do compressor faz-se através de óleo existente no mesmo, misturado com refrigerante.

Condensador

Função

Fig 5
 

  • À medida que o vapor de refrigerante é comprimido, a sua temperatura aumenta, pelo que tem de ser arrefecido antes de ser passado para o evaporador.
  • O condensador tem como função arrefecer o vapor de refrigerante quente, assegurando que este condensa e passa ao estado líquido; normalmente o condensador está montado em frente do radiador do líquido de arrefecimento do motor.

Funcionamento

Fig 6
 

  • O condensador recebe vapor a alta pressão do compressor.
  • O vapor entra pela parte superior do condensador e desce através dos seus tubos.
  • O ar frio que passa pelas alhetas do radiador vai arrefecendo o refrigerante e este condensa, saindo então pela parte inferior do condensador no estado líquido.
  • Quando o veículo está parado, é usada uma ventoinha mecânica ou eléctrica para forçar a passagem do ar através das alhetas do condensador.
  • Nos modelos mais recentes o condensador divide-se em três câmaras separadas. A secção superior [1] arrefece o vapor quente, assegurando que este condensa, passando ao estado líquido. O líquido é então passado para um depósito/desumidificador integrado [2] (também chamado modulador neste tipo de disposição), onde é secado e separado de qualquer vapor que ainda aí se encontre antes de entrar na secção inferior [3], um arrefecedor secundário que assegura que para a válvula de expansão passa apenas líquido.

Depósito/desumidificador

Função

  • O depósito/desumidificador é usado em sistemas de válvula de expansão e encontra-se no lado da alta pressão do sistema. Nos sistemas mais antigos, encontra-se entre o condensador e a válvula de expansão, ligado por tubos. Nos modelos mais recentes pode fazer parte integrante do condensador.
  • Tem como função principal assegurar que para a válvula de expansão só passa refrigerante líquido. Além disso, filtra todas as impurezas do sistema e absorve a humidade que possa nele ter penetrado.
  • O compressor tem de ser substituído ou (apenas no caso dos do tipo integral) reparado sempre que apresente danos ou que o circuito do refrigerante tenha sido aberto e deixado em contacto com o ar.

Funcionamento

Fig 7
 

  • O líquido a alta pressão passa através de um tubo de admissão [1] do condensador para o depósito/desumidificador, onde um elemento desumidificador [4] absorve a humidade e filtra a sujidade do refrigerante.
  • O refrigerante líquido [5] passa então, através de um tubo ascendente [6], para o tubo de saída [3] e daí para a válvula de expansão.
  • Em alguns sistemas existe um vidro de inspecção [2] no tubo de saída.

Depósito/desumidificador integrado

Fig 8
 

  • Aqueles do tipo integrado possuem um cartucho desidratante [1] e um filtro [2] que podem ser acedidos após a descarga do refrigerante, bastando para isso retirar o bujão [3].

    NOTA:  Em certos modelos o filtro faz parte do bujão.


Acumulador/desumidificador

Função

  • O acumulador/desumidificador é usado nos sistemas de tubo de orifício fixo e a sua posição no circuito do refrigerante é entre o evaporador e o compressor.
  • A sua função principal consiste em evitar que entre refrigerante líquido no compressor e o danifique.
  • Para o conseguir, actua como depósito do refrigerante líquido que não passou a vapor ao passar através do evaporador, e só permite que o compressor extraia vapor de refrigerante.
  • O acumulador/desumidificador também actua como filtro, assegurando a limpeza do circuito do refrigerante, e absorve a humidade que possa ter entrado para o refrigerante.
  • O compressor tem de ser substituído sempre que apresente danos ou se o circuito do refrigerante tiver sido aberto e deixado exposto ao ar.

Funcionamento

Fig 9
 

  • O vapor de refrigerante passa do evaporador para o acumulador/desumidificador através do tubo de admissão [3] e circula em torno da tampa [4], criando um remoinho. O elemento desumidificador [8] recolhe qualquer humidade que tenha sido absorvida pelo refrigerante.
  • O vapor de refrigerante acumula-se debaixo da tampa, de onde é extraído para o tubo de saída através da abertura do tubo em U [2].
  • O líquido mais pesado tem tendência a circular para o fundo do acumulador/desumidificador, onde tem uma segunda oportunidade de se evaporar.
  • Na parte do tubo em forma de U [5] que se encontra por trás do filtro [6] existe um pequeno orifício. O óleo que é recolhido no acumulador/desumidificador [7] é extraído através deste orifício e é misturado com o vapor de refrigerante que sai.
  • O interruptor de baixa pressão encontra-se numa ligação situada na parte superior do acumulador/desumidificador [1].

Válvula de expansão

Função

Fig 10
 

  • Localizada no tubo de alta pressão, entre o depósito/desumidificador e o evaporador, a válvula de expansão separa o lado da alta pressão do lado da baixa pressão no circuito do refrigerante.
  • Controlando o caudal de refrigerante que entra no evaporador, assegura que o refrigerante líquido se evapora completamente, de forma a que só regresse ao compressor vapor de refrigerante.
  • As válvulas de expansão não se podem regular e substituem-se como unidade completa.

Funcionamento - tipo válvula de bloco

Fig 11
 

  • A válvula de expansão deste tipo é composta por cabeça de diafragma [5] e corpo da válvula. O refrigerante proveniente do depósito/desumidificador [1] passa através do orifício inferior e é injectado em quantidades medidas com precisão. A medição é efectuada por um sensor [4] e uma câmara de diafragma [6] enchida com uma pequena quantidade de refrigerante.
  • O sensor [4] monitoriza a temperatura do vapor de refrigerante que regressa do evaporador [7]. Quando a temperatura aumenta, o sensor aquece o refrigerante líquido que se encontra na câmara de diafragma. O refrigerante expande e o diafragma empurra uma corrediça de válvula [2], o que impele a esfera [9] para baixo, contra a pressão da mola [10], afastando-a da sede da válvula. Desta forma o caudal de refrigerante para o evaporador aumenta [8]. A válvula de esfera volta a fechar assim que a temperatura no evaporador baixa e o refrigerante na cabeça de diafragma arrefece. O vapor de refrigerante regressa ao compressor através da ligação [3].

Funcionamento - válvula termostática

Fig 12
 

  • A válvula de expansão tipo termostática (TXV), com lâmpada térmica [2], encontra-se colocada directamente na entrada do evaporador. O refrigerante em estado líquido a alta pressão proveniente do depósito/desumidificador entra na válvula pelo ponto [4] e actua contra a válvula carregada por mola [6] para ser injectado no evaporador [5].
  • No tubo de baixa pressão existe uma lâmpada sensível ao calor [2]. Quando a temperatura aumenta, o sensor aquece o refrigerante líquido que se encontra na câmara de diafragma. O refrigerante expande e o diafragma empurra a válvula para baixo, afastando-a da sua sede. Desta forma o caudal de refrigerante para o evaporador aumenta [5]. A válvula volta a fechar assim que a temperatura no evaporador baixa e o refrigerante no diafragma arrefece.
  • Para compensar as variações das pressões de saída é utilizado um tubo de equilíbrio da pressão [1]. Em alguns casos este tubo é montado fora do tubo de sucção, como pode ver-se na figura; noutros casos utiliza-se uma perfuração interna.

Tubo de orifício fixo

Função

  • O tubo de orifício está situado no tubo de alta pressão, entre o condensador e o evaporador.
  • A sua localização exacta pode identificar-se pelo exterior, através de um ressalto no tubo do refrigerante - um obstáculo que impede que o tubo de orifício seja empurrado para o evaporador.
  • O tubo de orifício separa os lados de alta e baixa pressão do circuito de refrigerante e mede o caudal de refrigerante que entra no evaporador.
  • O tubo de orifício não pode assegurar a evaporação total do refrigerante líquido no evaporador; para assegurar que só regressa ao compressor vapor de refrigerante, é utilizado um acumulador.

Funcionamento

Fig 13
 

  • O refrigerante líquido [1] proveniente do condensador a alta pressão entra no tubo de orifício pelo seu lado de admissão [3]. Duas juntas tóricas [4] evitam que o refrigerante escape do tubo de orifício. Um filtro de rede existente no lado da admissão [2] assegura que o orifício não fica obstruído. O filtro do lado da saída [5] pulveriza o refrigerante em gotículas minúsculas antes de este dar entrada no evaporador [6].
  • O diâmetro interior do tubo de orifício fixo varia conforme o tipo de veículo. Cada tubo de orifício fixo tem uma cor de código que indica o calibre do tubo. É importante montar o tubo de orifício fixo do calibre correcto, dado que de outra forma a capacidade de arrefecimento pode ser significativamente afectada.
  • Se o compressor tiver sofrido danos internos, o tubo de orifício fixo e/ou o filtro podem ficar obstruídos com partículas de metal, pelo que deve(m) ser substituído(s).

Tubo de orifício variável

Função

  • O tubo de orifício variável está situado na tubagem de alta pressão, entre o condensador e o evaporador.
  • A sua localização exacta pode identificar-se pelo exterior, através de um ressalto no tubo do refrigerante - um obstáculo que impede que o tubo de orifício seja empurrado para o evaporador.
  • O tubo de orifício separa os lados da alta e da baixa pressão do circuito de refrigerante e mede o caudal de refrigerante que entra no evaporador através de dois orifícios - um fixo e um variável.
  • O tubo de orifício variável não pode assegurar a evaporação total do refrigerante líquido no evaporador, pelo que é utilizado um acumulador para assegurar que só regressa ao compressor vapor de refrigerante.

Funcionamento

Fig 14
 

  • O refrigerante líquido [1] flúi a alta pressão do condensador para o lado de admissão do tubo de orifício variável [2]. Duas juntas tóricas [3] impedem que o refrigerante não passe no tubo de orifício variável. Um filtro de rede no lado da admissão [4] assegura que os orifícios não ficam obstruídos. O fluxo de refrigerante é medido através do tubo de orifício fixo [5] e do tubo de orifício variável [6]. A quantidade de refrigerante admitido depende da temperatura do refrigerante. À medida que a temperatura aumenta, a mola bimetálica [7] gira, accionando um limitador [8] que doseia a quantidade de refrigerante que passa pelo tubo de orifício fixo [6]. Finalmente, o filtro no lado da saída [9] pulveriza o refrigerante em gotículas minúsculas antes de este dar entrada no evaporador [10].
  • O diâmetro interior do orifício pode variar conforme o tipo de veículo. Cada tubo de orifício tem uma cor de código que indica o calibre do tubo. É importante montar o tubo com o orifício do calibre correcto, dado que, caso contrário, a capacidade de arrefecimento poderá ser seriamente afectada.
  • Se o compressor sofrer danos internos, o tubo de orifício e/ou o filtro podem ficar obstruídos com partículas de metal, pelo que devem ser substituídos.

Evaporador

Função

  • Normalmente o evaporador encontra-se montado na admissão de ar do aquecedor.
  • O evaporador recebe vapor de refrigerante frio e não só arrefece como também desumidifica o ar no habitáculo.
  • Alguns veículos estão equipados com mais de um evaporador; por exemplo, um na parte da frente e outro na parte de trás do habitáculo.

Funcionamento

Fig 15
 

  • O evaporador recebe uma mistura de refrigerante frio líquido e vaporizado da válvula de expansão ou do tubo de orifício fixo (dependendo do tipo de sistema) [1].
  • Uma ventoinha eléctrica [4] faz passar ar (normalmente recirculado) [A] pelas alhetas do evaporador [3].
  • À medida que o ar passa pelas alhetas do evaporador, é arrefecido e empurrado para o habitáculo [B] antes de ser recirculado através do evaporador.
  • O calor do ar admitido assegura que o refrigerante líquido é vaporizado antes de sair do evaporador [2] e que é novamente puxado para o compressor, para ser recirculado.
  • O vapor de água contido no ar que passa através do evaporador condensa nas alhetas, o que resulta na desumidificação do ar; a água recolhida durante o processo escoa-se através de canais de escoamento.

Ligações de assistência

Função

  • Normalmente as ligações de assistência encontram-se no compartimento do motor. A ligação de assistência da baixa pressão poderá situar-se no compressor do ar condicionado ou no tubo de refrigerante de baixa pressão. A ligação de assistência da alta pressão poderá situar-se no compressor do ar condicionado, no tubo de refrigerante de alta pressão ou no depósito/desumidificador. Alguns veículos poderão possuir apenas uma ligação de assistência de alta pressão.
  • As ligações de assistência permitem ligar um conjunto de manómetros ao circuito do refrigerante, para efeitos de assistência e ensaio.

    NOTA:  As ligações de assistência dos compressores poderão estar identificadas com as letras "SUC" (sucção) do lado da baixa pressão e DIS (descarga) do lado da alta pressão.

Funcionamento - Ligações de assistência para R12

Fig 16
 

Fig 17
 

  • As tampas de protecção evitam que entre sujidade para as válvulas e proporcionam vedação adicional quando o sistema está em funcionamento. Depois dos trabalhos de assistência ou reparação, devem ser novamente colocadas.
  • As ligações de assistência são uniões com rosca interna e externa, para uniões de aparafusar. As ligações de assistência da alta pressão Fig 16 [A] e da baixa pressão Fig 16 [B] têm normalmente roscas externas de 3/8 polegadas.
  • As ligações de assistência da alta e da baixa pressão não são identificadas, excepto quando se encontram no compressor.
  • Alguns veículos utilizam uma união de rosca externa de 3/8 polegadas (alta pressão) e outra de 7/16 polegadas (baixa pressão).
  • As ligações de assistência contêm válvulas do tipo Schrader. Um núcleo de válvula integral Fig 17 [4] é aparafusado ao corpo da ligação Fig 17 [1].
  • Estas válvulas funcionam como as válvulas de pneu: abrem-se quando se carrega na cavilha [2] contra a força da mola Fig 17 [3].

Funcionamento - Ligações de assistência para R134a

Fig 17
 

Fig 18
 

  • As ligações de assistência são uniões com rosca interna e ambas utilizam ligadores de encaixar. As ligações de assistência da alta pressão Fig 18 [A] e da baixa pressão Fig 18 [B] têm uniões de tamanhos diferentes.
  • A ligação de assistência de alta pressão tem um diâmetro maior do que a ligação de assistência de baixa pressão. As ligações de assistência contêm válvulas do tipo Schrader, tal como as ligações para R12 .

    NOTA:  Não utilize válvulas de pneu comuns para prestar assistência a um sistema de ar condicionado. Quando entra em contacto com refrigerante, o material de vedação das válvulas de pneu deteriora-se rapidamente.


Interruptores de pressão do refrigerante

Função

  • Dependendo do tipo de sistema, os interruptores de pressão do refrigerante podem estar montados nos tubos de baixa pressão e/ou de alta pressão do circuito do refrigerante.
  • Os contactos do interruptor estão abertos ou fechados conforme a pressão do circuito; os interruptores com mais de um conjunto de contactos têm o nome de interruptores de pressão duplos, triplos ou quádruplos.
  • As pressões de funcionamento dos interruptores e a sua função variam conforme o tipo de sistema. Por exemplo:
  • Um interruptor de baixa pressão ou triplo é usado para assegurar que o compressor não funciona se a pressão do refrigerante for demasiado baixa.
  • Um interruptor de alta pressão ou triplo é usado para assegurar que o compressor não funciona se a pressão do refrigerante for demasiado alta.
  • Um interruptor de baixa pressão é utilizado para controlar (ciclicamente) o funcionamento do compressor em sistemas com tubo de orifício.
  • Um interruptor de alta pressão pode ser usado para fazer funcionar os motores das ventoinhas do condensador ou do líquido de arrefecimento do motor.

Funcionamento - interruptor de pressão duplo do refrigerante

Fig 19

  • O refrigerante entra no interruptor de pressão duplo (por vezes designado de interruptor binário) através da perfuração [1] e a pressão é detectada pela membrana [2] para fazer funcionar o actuador [3] contra a mola [4].
  • Se a pressão do refrigerante descer abaixo de cerca de 2 bar, os contactos do interruptor de baixa pressão [5] abrem e o circuito da embraiagem do compressor é interrompido.
  • Quando a pressão do refrigerante sobe acima de cerca de 3 bar, os contactos do interruptor de baixa pressão fecham e o circuito da embraiagem do compressor fecha.
  • Se a pressão do refrigerante subir acima de cerca de 27 bar, os contactos do interruptor de alta pressão [6] abrem e o circuito da embraiagem do compressor é interrompido.
  • Quando a pressão do refrigerante regressa a cerca de 23 bar, os contactos do interruptor de alta pressão fecham e o circuito da embraiagem do compressor fecha.

Funcionamento - interruptor de pressão triplo/quádruplo do refrigerante

Fig 19
 

  • O interruptor de pressão triplo do refrigerante (por vezes designado de interruptor ternário ou de pressostato) funciona da mesma forma que o interruptor de pressão duplo para controlar o funcionamento do compressor.
  • Dispõe de contactos adicionais para controlar os motores da ventoinha do líquido de arrefecimento do motor ou o condensador.
  • Quando a pressão do refrigerante ultrapassa os cerca de 15-19 bar, os contactos do interruptor [7] fecham e o condensador ou o circuito do motor da ventoinha do líquido de arrefecimento do motor são accionados.
  • O interruptor de pressão quádruplo possui um conjunto de contactos adicional para permitir accionar o(s) motor(es) da ventoinha do líquido de arrefecimento do motor ou condensador em etapas, de acordo com a pressão do refrigerante.

Funcionamento - interruptor de alta pressão do refrigerante

Fig 19
 

  • O interruptor de alta pressão do refrigerante funciona de forma semelhante ao interruptor de pressão duplo, com a diferença de que apenas tem contactos de alta pressão [6] para controlar o funcionamento do compressor.

Funcionamento - interruptor de baixa pressão do refrigerante

Fig 20
 

  • O interruptor de baixa pressão do refrigerante (por vezes designado de interruptor de funcionamento cíclico em sistemas de tubo de orifício fixo) funciona de modo semelhante ao interruptor de pressão duplo, mas só tem contactos de baixa pressão [1] para controlar o funcionamento do compressor.

Sensor da pressão do refrigerante

Função

  • Poderá ser usado um sensor de pressão do refrigerante para controlar o funcionamento tanto do compressor como do motor da ventoinha do líquido de arrefecimento do motor ou do condensador através ou do módulo de controlo do ar condicionado ou do módulo de controlo do motor.

Funcionamento - tipo analógico

Fig 21
 

  • Os sensores de pressão analógicos funcionam de modo semelhante ao interruptor de pressão duplo, mas em lugar de contactos possuem uma resistência variável ou um cristal sensível à pressão.
  • O módulo de controlo do ar condicionado ou o módulo de controlo do motor abastecem as ligações [1] do sensor da pressão com uma tensão de referência.
  • A tensão de referência emitida da sua ligação [2] varia proporcionalmente à pressão do refrigerante.

Funcionamento - tipo digital

Fig 22
 

Fig 23
 

  • Os sensores de pressão digitais funcionam de forma muito semelhante aos analógicos, com a diferença de que utilizam um cristal sensível à pressão Fig 22 [1] e um microprocessador Fig 22 [2] para produzirem um sinal digital.
  • O sensor de pressão recebe tensão do módulo de controlo do ar condicionado ou do módulo de controlo do motor nas suas ligações Fig 22 [3] e devolve um sinal através da ligação Fig 22 [4].
  • O cristal é abastecido com uma tensão de referência pelo microprocessador Fig 22 [5].
  • As variações de pressão do refrigerante provocam a distorção do cristal, o que provoca a alteração da sua resistência eléctrica. Esta alteração por sua vez resulta na alteração da tensão emitida para o microprocessador Fig 22 [6], onde é gerado um sinal digital.
  • O sinal digital reflecte a pressão do refrigerante através de um impulso de largura variável (ciclo de operação).

Interruptores de temperatura e sensores de temperatura

Função

  • Tanto os interruptores como os sensores de temperatura podem ser usados para controlar o funcionamento do sistema de ar condicionado; por exemplo:
  • a temperatura do líquido de arrefecimento do motor pode ser monitorizada para assegurar que o motor não sobreaquece devido ao calor adicional gerado quando o ar condicionado está a funcionar;
  • a temperatura do evaporador pode ser monitorizada para assegurar que se a sua temperatura baixar para um ponto tal em que possa ocorrer congelamento, o funcionamento do compressor é interrompido;
  • tanto a temperatura no habitáculo como a temperatura exterior podem ser monitorizadas para controlar o funcionamento do sistema de ar condicionado.

Funcionamento - sensor da temperatura do líquido de arrefecimento

Fig 22
 

Fig 24
 

  • O sensor da temperatura do líquido de arrefecimento encontra-se no sistema de arrefecimento, montado ou no radiador ou no motor, e está ligado ao módulo de controlo do ar condicionado ou ao módulo de controlo da ventoinha de arrefecimento.
  • A maioria destes sensores incorpora uma resistência de coeficiente da temperatura negativo, cuja resistência diminui à medida que a temperatura do líquido de arrefecimento aumenta.

Funcionamento - sensor da temperatura do ar

Fig 25
 

  • Os sensores da temperatura do ar podem ser montados em diversos locais, tanto dentro como fora do veículo, e estão ligados ao módulo de controlo do ar condicionado.
  • A maioria destes sensores incorpora uma resistência de coeficiente da temperatura negativo (NTC), cuja resistência diminui à medida que a temperatura do ar aumenta.

Funcionamento - sensor da temperatura do evaporador

Fig 26
 

  • O sensor da temperatura do evaporador encontra-se no alojamento do evaporador e está ligado a um módulo de controlo electrónico.
  • A sonda do sensor da temperatura [1] é colocada nas alhetas de arrefecimento do evaporador e a sua resistência altera-se proporcionalmente às alterações da temperatura. Se a temperatura baixar a um ponto tal que possa ocorrer congelamento, o sinal do sensor é usado para desligar o compressor até a temperatura subir novamente.
  • A maioria destes sensores incorpora uma resistência de coeficiente da temperatura negativo, cuja resistência diminui à medida que a temperatura do evaporador aumenta.
  • O sensor poderá incorporar um transístor dentro do conjunto [2] que actua como interruptor.

Funcionamento - interruptor da temperatura do líquido de arrefecimento do motor

Fig 27
 

  • O interruptor da temperatura do líquido de arrefecimento do motor encontra-se no sistema de arrefecimento, montado ou no radiador ou no motor. Incorpora um interruptor bimetálico que abre ou fecha quando a temperatura do líquido de arrefecimento aumenta.
  • O interruptor da temperatura do líquido de arrefecimento do motor pode ser usado para fazer funcionar ventoinhas de arrefecimento ou para interromper o funcionamento do compressor.

Funcionamento - interruptor da temperatura do evaporador

Fig 28

 

  • O interruptor da temperatura do evaporador encontra-se dentro ou perto do alojamento do evaporador, enquanto que o tubo capilar do sensor [1] está colocado nas alhetas de arrefecimento do evaporador.
  • As alterações de temperatura dentro do evaporador provocam alterações de pressão proporcionais no tubo capilar: à medida que a pressão baixa, a pressão no tubo capilar do sensor baixa.
  • Este abaixamento da pressão actua sobre uma membrana [2] que está ligada aos contactos do interruptor [3]. Quando os contactos abrem, o circuito da embraiagem do compressor é interrompido.
  • Tipicamente, os contactos do interruptor abrem a cerca de 1°C e fecham a cerca de 4°C.

Módulos electrónicos de controlo

Função

  • Os sistemas automáticos ou semi-automáticos podem ser controlados por um módulo de controlo do ar condicionado.
  • Normalmente o módulo de controlo do ar condicionado encontra-se integrado no painel de controlo do ar condicionado/aquecedor, mas em certos sistemas poderá constituir uma unidade separada, instalada sob o capot ou dentro do veículo. O módulo de controlo do motor também pode controlar certos componentes do ar condicionado.
  • Normalmente os módulos de controlo do ar condicionado e de controlo do motor estão ligados e podem ter uma ficha de transmissão de dados comum para aceder aos dados de diagnóstico de avarias.

Funcionamento - Módulo de controlo do ar condicionado

Fig 29
 

  • Os sinais eléctricos provenientes dos comandos e dos sensores do sistema de aquecimento e de ar condicionado são recebidos e processados pelos circuitos electrónicos no módulo de controlo do ar condicionado.
  • O módulo de controlo do ar condicionado mantém automaticamente no habitáculo a temperatura seleccionada no painel de comandos.
  • O módulo de controlo do ar condicionado recebe sinais de entrada de:
    • Sensor de temperatura do evaporador do ar condicionado.
    • Sensor de pressão do refrigerante do ar condicionado.
    • Comandos do ar condicionado/aquecimento.
    • Caixa de velocidades automática.
    • Sensor de regime do motor.
    • Sensor da temperatura de saída do aquecedor.
    • Sensor da temperatura no habitáculo.
    • Sensor da temperatura do ar exterior.
    • Sensor da velocidade do veículo (VSS).
  • Os sinais de saída do módulo de controlo do ar condicionado controlam o seguinte:
    • Embraiagem do compressor do ar condicionado.
    • Motor da ventoinha do aquecedor/ar condicionado
    • Motores ou solenóide da patilha do ar condicionado/aquecedor.
    • Motor(es) da ventoinha do condensador.
    • Motor(es) da ventoinha do líquido de arrefecimento do motor.
    • Válvula reguladora do aquecedor do líquido de arrefecimento do motor.

NOTA:  O módulo de controlo do ar condicionado poderá estar equipado com sistema de autodiagnóstico.

  • As avarias registadas pelo módulo de controlo do ar condicionado têm de ser rectificadas antes de se prosseguir com o diagnóstico do sistema.

Funcionamento - módulo de controlo do motor

Fig 30

Fig 31

  • Os sinais eléctricos provenientes dos sensores do sistema de combustível e de ignição são recebidos e processados pelos circuitos electrónicos do módulo de controlo do motor.
  • O módulo de controlo do motor controla os sistemas de combustível, de ignição e das emissões de escape.
  • Além disso, pode ser usado para controlar certas funções do sistema de ar condicionado.
  • Sinais de entrada do módulo de controlo do motor que podem afectar o funcionamento do ar condicionado:
    • Sinal de ar condicionado LIGADO.
    • Caixa de velocidades automática.
    • Temperatura do líquido de arrefecimento.
    • Carga do motor.
    • Regime do motor.
    • Posição da borboleta do acelerador.
    • Velocidade do veículo.
  • Sinais de saída do módulo de controlo do motor que controlam o funcionamento do ar condicionado:
    • Funcionamento da embraiagem do compressor do ar condicionado.
    • Motor(es) da ventoinha do líquido de arrefecimento do motor.
    • Motor(es) da ventoinha do condensador.

NOTA: O módulo de controlo do motor poderá estar equipado com sistema de autodiagnóstico.

  • As avarias podem ser indicadas por um LED no módulo de controlo do motor , pela luz avisadora de avaria ou pela luz avisadora "check engine" (verificar motor) no painel de instrumentos .
  • As avarias registadas pelo módulo de controlo do motor podem afectar o funcionamento do sistema de ar condicionado e precisam de ser rectificadas antes de se fazer o diagnóstico de avarias do ar condicionado.
  • Para informações mais detalhadas sobre o diagnóstico de avarias do módulo de controlo do motor - consulte o Manual apropriado da Autodata sobre Gestão do Motor.

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