Atenção com as Correias Dentadas

Desde a sua introdução, há cerca de 20 anos atrás, as correias dentadas (ou síncronas) têm vindo a ser cada vez mais usadas para accionar veios de excêntricos, veios de equilíbrio e bombas injectoras Diesel, em vez das correntes de rolos ou carretos tradicionais.

 

1. Construção

A construção destas correias é complexa (1); possuem um núcleo laminado de fibra de vidro, Kevlar ou aço entrançado, revestido a borracha sintética, neopreno ou nitrilo, altamente saturado (HSN), resistente ao desgaste e ao calor.

Os dentes, que podem ser curvilíneos (2), curvilíneos modificados (com uma forma mais redonda entre eles) ou trapezoidais (3), são moldados numa só peça sob tolerâncias rigorosas, e possuem um revestimento de tecido resistente que confere à correia uma vida útil longa.

2. Dentes arredondados

3. Dentes trapezoidais

Esta combinação de design e construção resulta numa correia que cede pouco ao ser usada, que não requer lubrificação, de fabrico relativamente económico, com um trabalhar quase silencioso e altamente eficiente.


Substituição na revisão

Quando o fabricante recomenda um intervalo de substituição, este aparece indicado em quilómetros ou em tempo sob "Intervalos de substituição recomendados". Estes intervalos devem ser rigorosamente observados para evitar a possibilidade de falha da correia e os consequentes danos no motor que daí adviriam, de reparação extremamente dispendiosa.

NOTA: A referência a intervalos de substituição especiais, mais curtos, para veículos conduzidos sob condições árduas ou adversas, aplica-se aos seguintes tipos de utilização:

  • Táxis
  • Transporte permanente porta-a-porta.
  • Viagens curtas frequentes com o motor frio e temperaturas ambientes baixas.
  • Utilização em países quentes com temperaturas frequentemente superiores a +30 graus C.
  • Utilização em países frios com temperaturas frequentemente inferiores a -15 graus C.
  • Utilização em países com uma atmosfera poeirenta.
  • Rebocando um atrelado ou uma caravana.
  • Condução constante a altas velocidades.
  • Utilização de combustível ou óleo de qualidade inferior.

O facto de o fabricante não recomendar intervalos de substituição não significa que a correia possa ser ignorada ou que dure para sempre.

As correias devem ser inspeccionadas a intervalos regulares e devem ser substituídas sempre que o seu estado inspirar qualquer tipo de dúvida.


Contaminação

Quando está a ser usada, a correia é protegida de óleo e de água através de uma tampa; no entanto, a falha de uma junta ou de um tubo flexível poderá provocar danos na correia; nesses casos esta deverá ser substituída.

Nunca deve permitir-se que a correia entre em contacto com gasolina, água ou óleo e nunca, sob circunstância alguma, deverão usar-se solventes para limpá-la.

Se tiver qualquer dúvida relativamente ao estado da correia, substitua-a; os custos de o fazer, baixos se comparados com aqueles que resultariam da reparação dos danos no motor causados pela falha da correia, fazem desta precaução uma medida sensata.


Inspecção

A correia deve ser cuidadosamente inspeccionada aos intervalos recomendados e sempre que é desmontada; devem procurar-se sinais de desgaste ou danos, por mais pequenos que sejam, que possam resultar na sua falha e nas elevadas despesas que daí poderiam advir.

AVISO: Na maioria dos casos, a falha da correia da distribuição resulta em contacto entre o pistão e as válvulas e, consequentemente, em danos no motor.

Os danos da correia podem ser identificados por fendas ou desgaste na superfície exterior (4), possivelmente causados por depósitos no rolo do tensor, que frequentemente gira contra a parte de trás da correia, ou pelo tensor a prender em qualquer altura. Quaisquer danos desse tipo devem ser investigados, a fim de se determinar as suas causas antes da montagem de uma correia nova.

4. Fendas e desgaste

5. Dentes danificados

Os dentes devem ser verificados, procurando-se indícios de fissuras ou outros danos (5); os lados da correia também devem ser inspeccionados, procurando-se sinais de desgaste ou danos (6) que possam indicar o desalinhamento dos carretos em que rodam.

Dente fraccionados ou danificados poderão indicar que o veio de excêntricos, ou um dos auxiliares comandados pela correia (por exemplo a bomba de água), bloqueou, ainda que por breves momentos. Assim, esses componentes devem ser inspeccionados antes da substituição da correia.

6. Desgaste e danos laterais

Os dentes dos carretos também devem ser inspeccionados relativamente a danos e limpos apenas com uma escova macia.

Não se pode utilizar uma escova de arame nem raspadores metálicos de qualquer tipo. Quaisquer acumulações de sujidade ou pó que se encontrem nos cantos dos dentes podem ser cuidadosamente retiradas com um raspador de madeira macia.


Limpeza

Nunca use solventes para limpar depósitos de óleo da superfície da correia; em caso de dúvida, substitua a correia.

A limpeza da correia tem de ser realizada com o maior cuidado, com uma escova seca de pelo macio como, por exemplo, uma escova de dentes. A correia deve ser colocada numa superfície plana com muito cuidado para que não seja torcida ou comprimida.

A correia não deve nunca, sob circunstância alguma, ser virada de dentro para fora para ser limpa ou inspeccionada. Submeter a correia a qualquer tipo de tratamento inapropriado pode resultar na sua falha prematura.


Montagem

Para montar a correia é necessário aliviar o tensor e, em seguida, fazer deslizar a correia para o lugar. Poderá ser necessário esticar ligeiramente a correia para passá-la sobre o primeiro carreto; ao fazê-lo, assegure-se de que as marcas do ponto permanecem alinhadas.

Nunca, sob circunstância alguma, deve utilizar-se uma alavanca de qualquer tipo para forçar a correia a ir para o lugar. Depois de montada a correia, o motor só deve ser rodado na direcção de rotação normal (salvo nos casos em que o texto contenha instruções especiais em contrário) e nunca para trás, dado que tal poderá fazer com que a correia escorregue e o ponto "salte".

Verifique cuidadosamente em todas as fases da montagem da correia se as marcas do ponto estão correctamente alinhadas.

Algumas correias têm marcas de ponto identificadas que se relacionam com marcas nos carretos (7). Estas podem ser usadas em conjunto com outras marcas de ponto na fundição do motor e nos carretos ou simplesmente como referências do ponto. Mais uma vez, siga as instruções de montagem específicas.

7. Marcas de ponto na correia

Nunca utilize a correia para bloquear os carretos do veio de excêntricos ao aliviar os parafusos de fixação destes, dado que tal resultaria em danos nos dentes da correia.

Utilize uma ferramenta de imobilização de carretos, ou os sextavados ou áreas planas existentes em alguns veios de excêntricos para este efeito.

8. Setas indicadoras da direcção

Alguns fabricantes especificam a direcção de utilização da correia, identificando-a por meio de setas na sua face exterior (8); estas especificações devem ser rigorosamente cumpridas. Sempre que desmontar uma correia que possa ser novamente usada, marque nela a respectiva direcção de rotação para referência aquando da montagem.

Siga sempre todas as recomendações relativas à verificação e aos intervalos de substituição da correia.


Tensão

A tensão da correia é importante e pode ser regulada de várias formas diferentes. Os fabricantes de motores publicam instruções específicas para cada caso, que se descrevem na secção respectiva. Estas devem ser sempre seguidas, dado que se não estiver à tensão correcta a correia poderá falhar prematuramente.

Em muitos casos o tensor funciona automaticamente, mas é necessário respeitar cuidadosamente o processo de montagem para assegurar que a correia fica à tensão correcta.

As correias esticadas manualmente requerem normalmente o uso de manómetros para medir a tensão; estes encontram-se listados com as ferramentas especiais, na secção relevante.

Em certos casos pode usar-se um manómetro de tensões alternativo, como o Burroughs; inclui-se aqui uma tabela comparativa entre este e outros manómetros.

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